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Ensino com qualidade de primeiro mundo em colégio de Icaraí
12/4/2009
- Niterói
Luiz Gustavo Schmitt, O Fluminense
O tilintar da campainha da
Escola Municipal Paulo de Almeida Campos, em Icaraí, na Zona
Sul, às 7h15 anuncia o início de mais um dia de aula. Entre
os passos e as vozes dos alunos que adentram o espaço
escolar é possível ouvir o barulho dos pneus de cadeiras de
rodas.
No primeiro ano de escolaridade
(antiga alfabetização) Giovana Félix, de 9 anos, portadora
de paralisia cerebral, está aprendendo a ler e escrever. Ao
chegar na escola, sua cadeira de rodas desliza levemente até
o acesso ao elevador, que a conduz até o primeiro andar,
onde está sua sala de aula e dos demais colegas de uma turma
de cerca de 30 alunos.
De acordo com a coordenadora do
projeto de acessibilidade para alunos com necessidade de
educação especial, Juliana Medalha, a educação especial em
escolas públicas se deu por força de legislação, a partir da
Lei de Diretrizes e Bases (LDB) 9394/1996 e foi instituída
no município de Niterói após a Portaria 125/2008 ser
editada. E ainda, na proposta de cidadania municipal está
prevista a inclusão educacional.
"Aqui os alunos especiais estão
na escola. Temos estudantes com síndrome de Down, epilepsia,
autismo, por exemplo. De qualquer forma, eles estão em sala
de aula aprendendo a se relacionar com o mundo e com o
outro. Até porque a sociedade não é dos iguais, mas dos
diferentes. Por isso a inclusão. Porque as possibilidades de
desenvolvimento social e pedagógico são muito maiores",
disse.
Enquanto a professora Mariza da
Silva Ferreira escreve no quadro, os alunos copiam e leem em
voz alta as palavras. Ao mesmo tempo, a professora de apoio
de Maria das Graças de Souza Laplace, adapta a atividade, de
modo que Giovana aponte com a cabeça ou com os braços as
figuras e letras que simbolizavam o que estava sendo dito.
"Até mesmo a expressão facial
dela pode indicar algum tipo de resposta", explicou Maria
das Graças.
Fernanda Daibes é professora de
apoio de Camila de Souza Freitas, de 12 anos, portadora de
mielo melingoceli, e cursa o 1º ano de escolaridade.
"Estou conseguindo ter um
resultado melhor com ela com a informática, do que fazendo a
ampliação de letras. É uma alternativa para que perceba o
mundo tridimensional, já que a visão da cadeira não é
total", disse.
Também no primeiro ano de
escolaridade, Vitória Abreu, 10 anos, tem hemiparalisia. De
acordo com a professora Adriana Regina Silveira, quando
Vitória chegou ao Paulo de Almeida Campos era tímida e pouco
brincava com os demais colegas. Após um ano de trabalho, a
estudante especial já tem habilidade motora que a permita
escrever e fazer na maioria das vezes a mesma atividade que
os colegas.
"O que trabalhei primeiro com
ela foi a autoestima. No princípio, ela não usava a mão
esquerda, não pegava os alimentos, escondia a mãozinha.
Trabalhei com ela de modo que soltasse a mão e conseguisse
fazer movimentos. Foi muito importante esta questão de
aceitação do grupo e dela mesma. Hoje ela já aperta mão dos
amigos, brinca, consegue fazer os movimentos".
A aluna Letícia Ferreira, de 8
anos, do 2º ano de escolaridade, estudou com Vitória durante
todo o ano de 2008. Perguntada sobre o comportamento da
colega em sala de aula, ela deu uma resposta lacônica.
"Ela é bonita", disse, para
concluir:
"Ela faz tudo igualzinho a
gente: brinca, pula corda. Não vejo nenhuma diferença".
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